A vida de um jardineiro

Um dia perguntarei,
O que vale a pena?
A felicidade completa
Ou a vida num poema?

Criei laços, novos amigos,
Pessoas de diferenças.
Lidei com seus vacilos.
Cuidei de suas doenças.

Cortei e plantei árvores,
Reguei as menos sadias,
Acreditei nas impotentes,
Para vê-las crescer um dia.

As flores e seus perfumes
Banharam-me em inocência.
Nestes gravetos e espinhos
Encontrei a complacência.

Veio da terra uma companheira
A rosa triste, noturna, morena
Seus cachos pretos e vermelhos
Emanam calor que a mim tormenta.

Os olhos, a alma, castanhos escuro
Vibram em temor, canto e namoro.
Espinhos negros, tortos, perfeitos.
Opulência e ósculo que de ti devoro.

Se reparar naqueles olhares
Verá a Lua, alva, refletida
E a tristeza de, para sempre,
Longe do Sol ver-se mantida.

9 de dezembro de 2010

Luiz Felipe Urias dos Santos

 

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Comentários: Memória de Guerras

“For the Love of God”

“Walking in the fine line
Between pagan and christian”

Ao pensar em guerra, em sofrimento e violência, nada mais vem a nossa mente se não questões. São questões não respondidas, algumas questões que eles responderam mas não são escutadas, algumas questões que foram escutadas mas não mudaram o curso final da luta visto que a batalha novamente aconteceu.

Mas afinal, por quê criamos guerras?

Por que a guerra machuca tantas pessoas? Por que lutamos muitas vezes por causas desumanas e estúpidas? Por que há quem queira oprimir outros povos e ainda vê prazer nisto? Por que utilizamos nossa inteligência para criarmos armas? Por que somos impelidos a atacar o mais fraco? Por que há tanta ganância e inveja por algo que não o pertence? Por que lutamos contra as diferenças étnicas, culturais, raciais, religiosas?

Por que nós atacamos nossos semelhantes e a nós mesmos?

Sou jovem e acredito que não sou capaz de responder à estas questões, ainda que as respondesse, minhas respostas seriam imprecisas e incorretas, mesmo se elas mudassem a história de alguns, a dor não deixaria de existir.

“Combater em cólera e tensão, guerra, esta em minha vida pensava nunca ter razão.”

Pouco sei por que os homens lutam ou se há razão nisto. Sei porém que criar conflitos é fácil e, para muitos, é a solução plausível.

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Não haverá vencedores

Por MARCELO FREIXO

Dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marcham em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar.
[…] As imagens aéreas na TV, em tempo real, são terríveis: exibem pessoas que tanto podem matar como se tornar cadáveres a qualquer hora. A cena ocorre após a chegada das forças policiais do Estado à Vila Cruzeiro e ao Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro.
O ideal seria uma rendição, mas isso é difícil de acontecer. O risco de um banho de sangue, sim, é real, porque prevalece na segurança pública a lógica da guerra. O Estado cumpre, assim, o seu papel tradicional. Mas, ao final, não costuma haver vencedores.
Esse modelo de enfrentamento não parece eficaz. Prova disso é que, não faz tanto tempo assim, nesta mesma gestão do governo estadual, em 2007, no próprio Complexo do Alemão, a polícia entrou e matou 19. E eis que, agora, a polícia vê a necessidade de entrar na mesma favela de novo.
Tem sido assim no Brasil há tempos. Essa lógica da guerra prevalece no Brasil desde Canudos. E nunca proporcionou segurança de fato. Novas crises virão. E novas mortes. Até quando? Não vai ser um Dia D como esse agora anunciado que vai garantir a paz. Essa analogia à data histórica da 2ª Guerra Mundial não passa de fraude midiática.


Essa crise se explica, em parte, por uma concepção do papel da polícia que envolve o confronto armado com os bandos do varejo das drogas. Isso nunca vai acabar com o tráfico. Este existe em todo lugar, no mundo inteiro. E quem leva drogas e armas às favelas?
É preciso patrulhar a baía de Guanabara, portos, fronteiras, aeroportos clandestinos. O lucrativo negócio das armas e drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado. Ter a polícia que mais mata e que mais morre no mundo não resolve.
Falta vontade política para valorizar e preparar os policiais para enfrentar o crime onde o crime se organiza -onde há poder e dinheiro. E, na origem da crise, há ainda a desigualdade. É a miséria que se apresenta como pano de fundo no zoom das câmeras de TV. Mas são os homens armados em fuga e o aparato bélico do Estado os protagonistas do impressionante espetáculo, em narrativa estruturada pelo viés maniqueísta da eterna “guerra” entre o bem e o mal.
[…] É preciso construir mais do que só a solução tópica de uma crise episódica. Nem nas UPPs se providenciou ainda algo além da ação policial. Falta saúde, creche, escola, assistência social, lazer.
[…] Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública terá de passar pela garantia dos direitos básicos dos cidadãos da favela.
Da população das favelas, 99% são pessoas honestas que saem todo dia para trabalhar na fábrica, na rua, na nossa casa, para produzir trabalho, arte e vida. E essa gente -com as suas comunidades tornadas em praças de “guerra”- não consegue exercer sequer o direito de dormir em paz.
Quem dera houvesse, como nas favelas, só 1% de criminosos nos parlamentos e no Judiciário…

Texto retirado da Folha de São Paulo – Tendências e Debates – dia 28 de novembro de 2010

Desejo a vocês uma boa epifania.

~Luiz Felipe

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Aos corações feridos

Porque não importa o quanto tentemos curar nossas dores, as cicatrizes são profundas.

Talvez tentar buscar alguém que cuide bem de nosso coração possa dar certo, mas estaremos apenas nos enganando. Estaremos apenas nos dando mais feridas.

Tentar voltar atrás e refazer o que tivemos… Já se sabe o resultado, insistir no erro talvez nos faça tolos felizes, mas não saberemos por quanto tempo tal remendo irá aguentar…

Dar tempo ao tempo, para curar tais feridas. A cicatriz será eterna, assim como as memórias dos tempos bons que tivemos. Mas somente quando estivermos acostumados com tal ferida, não havendo como cutucá-la, estaremos prontos para seguir em frente.

Se você prefere cegar-se diante da dor, ser tolo perante a felicidade ou ficar só durante a regeneração… Só cabe a ti decidir.

A alegria de viver está nas suas mãos. Sorria e escolha com o coração.

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Sobre Estar de Volta

Depois de muito tempo, olá!

Pois então, realmente estive fora por alguns dias . Um impedimento de acessar a internet (modem quebrado) lhe dá oportunidade, ou ao menos deixa com vontade, de fazer outras coisas  que não são interessantes no primeiro instante. Tive um prazeroso final de semana em São Bento do Sapucaí onde ocorreu o Roça in Festival – um festival de rock, música popular brasileira e de boa comida também. Lá comi o melhor arroz com feijão, linguiça e polenta da região, rs.

O mais interessante do festival foi a presença da Companhia Cultura Bola de Meia cantando a história de Dito Pituba, um santeiro de muitas façanhas. Cantando um pouco de Congada e Folia, chamaram a todos para dançar e brincar junto com eles.

Site da Companhia

Sem mais delongas, gostaria de dizer que é muito bom estar de volta e poder escrever a vocês novamente. O texto-comentário da poesia Memória de Guerras em breve estará pronto, separei uma música que dirá muito a quem estiver aberto a ouví-la. Quero muito que aproveitem.

Em breve o nome do nosso blog mudará, então o nosso endereço mudará consequentemente. A decisão final ainda não está tomada mas estamos planejando algum nome que vá agradá-los. Antes que nos mudemos, farei questão de avisá-los com alguma antecedência.

E para terminar este pequeno recado deixo este poema, uma dedicatória ao meu primo Victor Vianna que ontem me escreveu em um prato de papel de festa o início desta passagem que tanto aprecio e agora compartilharei com vocês:

Autopsicografia

“O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.”

Fernando Pessoa

Não quero discutir a veracidade dos sentimentos dos poetas, mas será que toda palavra deles era completamente verdadeira em grau e profundidade? Ou era consequência da situação?

Pensem nisto. ;)

~Luiz Felipe

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Meu repúdio com a sociedade contemporânea.

Não posso deixar passar reto a oportunidade de comentar um pouco sobre o que vemos hoje em dia, fato lembrado por essa tirinha.

Sabe, nunca entendi direito a ligação entre homossexualismo e romantismo.
Na verdade, sou até a favor do homossexualismo, as pessoas devem buscar sua felicidade em todos os sentidos desde que não afetem negativamente ou prejudiquem os outros ao seu redor.

Desde os tempos do emocore deu pra confirmar a visão “machista” da sociedade, que homem tem que curtir pegar/ficar/acasalar com quantas fêmeas puder e dane-se, vamos fazer estatística.
Homens não choram, não têm sentimentos, não se apaixonam, nem sequer pensam em amor. São puras máquinas do sexo.

Hoje em dia o cool é repudiar coloridos, que são a reversal russa dos emos onde ao invés de odiarem o mundo e mostrarem essa tristeza usando roupa preta, franjão e cortando os pulsos, usam roupas coloridas e são babacas felizes por serem babacas. Nada pessoal, só pra constar, mas as letras das bandas que representam esses é de facepalmear.

Por fim ainda combinam tudo isso com o homossexualismo em geral. Ao invés de verem como as pessoas estão saindo do armário e sendo felizes com suas decisões, pelo contrário, vemos a galerë falando o quanto homens estão virando bichinhas e criando lésbicas no mundo. Claro, é tudo culpa da sua opinião.

Faço questão de constar que não estou necessariamente de nenhum dos lados. Na verdade, eu apesar de ser a favor de gays e lésbicas, eu não acho necessário mulheres virarem machos peludos com voz grossa ou homens dando piti . Por sinal, é aí que entra justamente a questão de invadir o espaço do outro, quando você demonstra à sociedade o seu jeito de ser, mas de uma maneira incômoda. É possível ser feliz e viver na sua, porra.

Agora, onde até o momento foi citado algo em relação a romantismo? Pois bem, vamos lá. Deixando claro antes que não digo do movimento literário, mas de ações românticas por si só.

Há não muito tempo atrás a escrita, a música e as atitudes de um homem que demonstrassem sua paixão referente à amada eram consideradas artes raras e valiosas. Sempre foi difícil achar homens com este perfil, ao menos os que o faziam de coração ao contrário dos charlatões, mas eram valorizados. Acredito que as mulheres sempre preferiram os homens mais sentimentais, até atingirmos nossa época atual onde elas possuem foco em “quem tem a pegada”.

Óbvio que tanto homens quanto mulheres não respiram amor. Há horas em que o importante é curtir o momento para ambos os lados, sem parar para pensar no lado emocional da coisa, focando-se no calor da situação, mas o papel de quem sempre acabava pendendo mais para esse lado era o homem. Hoje em dia os papéis se inverteram, e são as mulheres quem correm atrás do fogo, enquanto alguns homens se sentem finalmente com a oportunidade de serem sinceros com o que sentem. Não é uma reversal russa total, vale ressaltar.

Claro, se pararmos para comparar com o movimento literário citado acima, os mais próximos que chegaram disso foram os emos, criticando a sociedade atual do jeito deles, pensando na morte e pessimismo. Eu, todavia, prefiro me arriscar na geração do subjetivismo, do sonho e do exagero. Por mais que seja impossível você seguir uma vertente e ignorar todas as outras características dela (afinal quem vê com os olhos de um romântico não consegue ignorar os males da vida e sociedade até que seja cego pela paixão), eu, sei lá, quero acreditar que seja possível viver apenas para imaginar esse amor de início platônico, e então visualizar uma rota onde há um final feliz. E nesse campo de visão há espaço para testosterona, assim como para a falta dela.

É possível amar e ser amado, não importando seu sexo, crença, etnia, opção sexual, estilo ou cor de roupa. Você já se deu uma chance para pensar nisso e arriscar? Não é necessário pagar de fodão pegador caso você o faça apenas para enganar a si e aos outros. Pelo contrário, isso só será pior para ti. Se é sua opção, seja feliz e se orgulhe dela, mas caso não, lembre-se que “sair do armário” é válido para muitas coisas, incluindo mudar a si próprio de acordo com o que você acredita, indo de visual a atitudes.

Eu acredito que é possível homens serem românticos. É possível você encontrar sua felicidade e ninguém se meter nela. E é possível você ser feliz sem ser um babaca.
Basta você abrir um pouco mais os olhos, enxergando além do moralismo e preconceito que a cultura lhe impõe.

Basta estar vivo que tudo é possível.

E estando vivo, basta sorrir.

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Extraído: Dia da Lembrança

 

Rememberance Day - 11 de novembro - Em memória aos sacrifícios da Primeira Guerra Mundial

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Memória de Guerras

Escreveria um dia à família
Tentando por vez não contar
O desastre de ira divina
Minha vida sutil tomará.

Durante a semana eu via
Transtorno virar obsessão.
Cabelos, um tanto grisalhos,
De um senhor de melhor intenção.

Uma proposta eu receberia
Combater em cólera, tensão
Guerra, esta em minha vida
Pensava nunca ter razão.

Dizeres por ti, mal guiado
Tilinta o míssil, uma ogiva,
Contra aqueles sem perdão, pecado,
Ateá-los em fogo, sem esquiva.

06/09/2010

Luiz Felipe Urias dos Santos

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A chuva cai, a rua inunda…

E os leitores vão comer o bolo!

E aí galera, hoje é aniversário do chefe, o Lipeh /o/

Sendo assim, desejo felicidades, dorgas, tudo de bom para este companheiro, confidente e amigo.

Que o coração gelado se mantenha nobre, e que honre as chamas que um dia chegarão.

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Aye!

Olá pessoas!

Sou o estagiário do blog a convite do Fro, além de um aspirante a gerador de epifanias.

Após desistência na escrita, tento elas através de tudo o que acho na internet, sempre há uma mensagem.

E bem, levando em conta meus recentes problemas de horário (porque ir dormir às 6 e acordar às 10 não é legal), achei que foi bem com a minha cara começar com essa:

Nota Mental: fuso-horário é uma Desgraça

kibado do http://ryotiras.com/

Vivam perigosamente – Fritem bacon sem camisa!
Por hoje é só o/

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Comentários – Criai

“The lunatic is on the grass.”

Letra da música acima – 1ª Parte
Letra da música acima – 2ª Parte

Criai!

O que posso dizer mais? Se há algo que nos diferencia profundamente de qualquer outra criatura é a criatividade e a imaginação. Saber manejar os objetos de maneira esperta, tornear, talhar aço e madeira para criar esculturas nunca vistas, utilizar do carvão ou da tinta para criar fotografias do pensamento com forma e comunicação, estes hábitos são alguns dos únicos significados de ser humano.

Ser o “homem sábio sábio” é saber comunicar-se e desenvolver pensamentos abstratos, brincar com as possibilidades e situações, é demonstrar afetividade, criar laços de amor, ódio e amizade…

É Pensar!

Esta ferramenta, posso dizer, a mais poderosa dentre todas presentes neste planeta traz um fascínio e desgosto ao mesmo tempo.

Capaz de criar as mais perfeitas harmonias transformando ritmos e danças com compassos uníssonos e complementares. Capaz de dar existência à imagens de infância, de história antiga seja através de pontos coloridos, seja através de símbolos e letras. Pensar torna-nos hábeis para inventar mecanismos que facilitam a vida e até mesmo a expressão da criatividade.

Mas como tudo que é bom, também tem suas desvantagens, ela abriu espaço às atrocidades e monstruosidades presentes no intelecto de cada indivíduo. O pensamento permitiu criarmos as mais apuradas técnicas para assassinar os corruptos, mas também os inocentes. A seleção natural é elevada aos seus limites, distintivamente.

Neste momento você pode perguntar a si mesmo se a melhor solução para este paradigma seria a exclusão do raciocínio.

No entanto, antes considere que os “lunáticos” – idéias ruins – presentes no seu pensamento são unicamente seus, eles não se manifestam se não permiti-los tais coisas.

Como a frase popular diz: É um mal necessário. A existência das reflexões ruins é necessária. A manutenção do equilíbrio dinâmico do universo, das leis de ação e reação resumem-se instintivamente na existência do bem e do mal, e não só de uma das partes.

A questão é saber lidar com isto, saber andar por entre as suas avenidas mentais e não perder o controle, reconhecer a existência dos dois lados da moeda e entender que na sua vida a moeda pode tanto virar para um lado, quanto para o outro.

“A escuridão existe para que haja luz.

A luz existe para que haja a escuridão.

É tudo decorrente da questão de opinião.”

Desejo-lhe uma boa epifania!

~Luiz Felipe

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